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Com um motor elétrico e outro a gasolina, ele é o carro mais econômico do Brasil.

Enfeitiçado pelos diagramas no painel que mostram como funciona o Prius, é até difícil olhar a estrada. Estão ali representados motores, baterias e eixo motriz do Toyota – e o fluxo de energia entre eles. No começo só o motor elétrico atua e o silêncio é absoluto, para espanto dos passageiros e pedestres. Depois, com maior exigência do pé direito, o propulsor a gasolina é ligado: em baixa rotação e quase sem ruído, ele envia a potência necessária às rodas, e o que sobra recarrega as baterias.

O sinal fecha e toco leve no freio: o motor a gasolina desliga e o elétrico age como gerador, enviando a energia que seria desperdiçada na frenagem também para as baterias. Pego uma subida e piso forte: os motores atuam juntos. Já na descida, mesmo sem frear, ele volta a acumular eletricidade. E tudo isso sem eu me preocupar com nada. Tudo totalmente automático. Sim, híbridos como o Prius são especiais, diferentes e únicos. Dirigi-los é experiência inovadora. E agora, com a estreia dessa nova geração do Toyota, mais acessível.

“Perdendo dinheiro”, a marca o vende por R$ 119.950. Não é muito. Na verdade, considerando o que oferecem sedãs de mais de R$ 100.000 – como o próprio Corolla –, o Prius é até barato. Mas ninguém gosta de queimar dinheiro; o preço ousado visa “popularizar” a tecnologia, mostrar que já passou da hora de pararmos de tratar os híbridos como especiais, diferentes e únicos. Porque tais adjetivos, embora possam atrair alguns clientes, espantam outros. Aqueles que só querem um carro “normal”. Que têm medo das baterias, da tecnologia, da inovação.

NORMAL, PORÉM ESPECIAL

De certa forma, o Prius é um carro normal, com quatro portas e porta-malas, quatro rodas e volante, pneus e para-brisas. Comparado ao Corolla, é 8 cm mais curto e tem bagageiro 58 litros menor, mas o espaço é similar – já que a distância entre-eixos é a mesma. O assoalho também é plano. O acabamento e os equipamentos são até superiores. Há faróis de LED, couro, sete airbags e chave presencial, como no Corolla. E mais: ar bizone, controle de estabilidade e carregador de celular sem fio, entre outros itens exclusivos. Para completar, os custos de manutenção não fogem da média dos sedãs “comuns”.

Por outro lado, o Prius é especial. Afinal, que carro supera 25 km/l (gasolina), seja na cidade, seja na estrada? Nem subcompactos. O Prius 2016 é dono absoluto do título de carro mais econômico do Brasil, segundo o Inmetro. Além disso, por ser híbrido, não deixa o motorista com a aflição de que a bateria pode acabar, como nos elétricos. E ainda tem incentivos, como pagar menos IPVA (em alguns Estados) e não precisar respeitar o rodízio veicular de São Paulo (e outros devem vir por aí).

E gastar pouco não significa apenas emitir menos CO2, vilão do efeito estufa. Mais importante ainda é emitir menos poluentes que afetam a saúde das pessoas e a qualidade do ar nas grandes cidades. Comparado ao segundo mais econômico, o Peugeot 208 1.2, o Prius 1.8 Hybrid emite um terço dos hidrocarbonetos, um sexto dos óxidos de nitrogênio (NOx) e menos de um décimo do monóxido de carbono (CO). E ainda reduz a poluição sonora.

AO GOSTO DO FREGUÊS

No uso diário, você pode até se esquecer de que o Prius é híbrido e se habituar a raramente encher o tanque. Pode ignorar toda sua tecnologia e simplesmente dirigi-lo como qualquer outro carro. Você não vai sentir falta de nada, a não ser que goste muito de postos de gasolina ou de barulho. Mas é difícil resistir a guiá-lo como se fosse um videogame, tentando bater recordes de consumo. Ele ajuda com as tais telinhas, e ainda repete suas informações no head-up display (pprojeção no para-brisa)para ajudá-lo a dosar o pé direito. É também difícil esquecer que é híbrido, tamanho o silêncio na cabine.

No trânsito pesado, quando não está parado com os motores desligados, o Prius trabalha grande parte do tempo no modo elétrico. Não se ouve o motor, não há vibração e é fácil superar os 25 km/l (cheguei a 37 km/l em um percurso urbano de 28 km!). E embora o ambiente ideal para qualquer híbrido seja mesmo as cidades, ele não tem problemas em encarar estradas. Pelo contrário: roda mais de 1.000 km com um tanque de gasolina. A 120 km/h, o silêncio até assusta e o conforto é reforçado pelas suspensões macias.

O Prius marcou 20 km/l, subindo a 25 km/l no trecho de 100 km/h – onde atuou 45% do tempo no modo elétrico. Nas descidas, o modo B (do câmbio) aumenta o freio motor, regenerando mais energia. Já no Power (do sistema híbrido), o Prius vira quase esportivo – e ainda marca 15 km/l. Nas aceleradas fortes os motores unidos somam 123 cv e, acoplado ao câmbio CVT, o 1.8 a gasolina tem ruído equivalente ao de um Nissan Sentra CVT. Já o modo EV força a circulação apenas elétrica, mas desliga automaticamente quando você pisa forte no acelerador ou anda rápido.

O COROLLA DO FUTURO

Pense bem: o Prius oferece consumo imbatível e design futurista e exclusivo, além de luxo e tecnologia. Tudo isso pelo preço de um sedã topo de linha (e menos que um premium). Mais que um Corolla de luxo, ele é o Corolla do futuro. Sua plataforma TNGA, inclusive, estará na próxima geração do sedã – e também no aguardado crossover C-HR. Aliás, aproveito para contar aqui um segredo: daqui a poucos anos esse Prius deve virar nacional (hoje vem do Japão) e ser produzido com o 1.8 convertido para flex. E muito provavelmente na mesma linha dos novos Corolla e C-HR. Que também terão versões híbridas, como em breve acontecerá com todos os Toyota.

Publicada em 01/08/2016 - 16:30